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Ansiedade e a saída na terapia pela fala

  • Foto do escritor: Marilia Antunes
    Marilia Antunes
  • 24 de abr. de 2025
  • 2 min de leitura


Ela pode se manifestar de muitas formas e em diversos graus de intensidade: um mal-estar severo no corpo, uma inquietação excessiva, pensamentos catastróficos, atos impulsivos, uma sensação de desconexão, de terror e de que o mundo vai desabar sob nossos pés. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas (9,3% da população). Um levantamento feito em 2024, que consultou 1.538 brasileiros de todas as regiões do país, elegeu “ansiedade” como a palavra do ano*. Uma constatação que, para muitas e muitos de nós, é sentida todos os dias, em uma vida que nos coloca sempre diante da necessidade de produzir mais, de pular para a próxima fase, de atender demandas infinitas.


Mas se a ansiedade é uma resposta natural do corpo a situações que nos ameaçam, que nos protege em situação de perigo e que nos fez evoluir enquanto espécie, vivemos em uma sociedade que nos torna e nos mantém cada vez mais em estado ansioso. É aí que a psicoterapia entra em cena. E como saber quando devemos procurar um processo de análise para tratar a ansiedade? Para Freud, a intensidade é o que diferencia os processos neuróticos dos processos psíquicos que estão presentes em qualquer indivíduo. Na ansiedade, há um excesso que pode ser patogênico e que ao invés de produzir respostas satisfatórias e necessárias de fuga, nos paralisa diante da vida e dos acontecimentos.


Na teoria psicanalítica, há de se diferenciar medo, ansiedade e angústia. Se no medo existe um objeto muito bem definido, como o medo de estar sozinho à noite em uma rua perigosa, na ansiedade o objeto pode se tornar mais ou menos indefinido, ou produzir uma resposta exagerada ou deslocada. Já na angústia, não se tem notícias do objeto que nos angustia, que inclui o que chamamos de ataques de pânico, uma ansiedade do que não podemos nomear, que tem relação justamente com o nosso desejo. E por isso mesmo, perfeitamente tratável através da psicanálise, onde podemos falar sobre o que nos angustia, nomear nossos afetos e, a partir daí, elaborar e ressignificar nossa subjetividade. 


Na visão de Lacan, a angústia é o único afeto que não mente. Onde há angústia, há desejo, mesmo quando falta a palavra. Ao invés de silenciar, precisamos escutar o que angustia. O processo de análise trata de investigar na companhia de um analista aquilo de que se tem medo, falar para diminuir o tamanho do que nos apavora e que nos ameaça, ainda que de forma inconsciente. Como seres de linguagem, a fala é o que nos aproxima da nossa verdade, ainda que ela não seja revelada em sua totalidade tem potencial de transformar e nos manter conectados ao nosso desejo.


 
 
 

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