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A direção do tratamento na bipolaridade

  • Foto do escritor: Marilia Antunes
    Marilia Antunes
  • 18 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 18 de jun. de 2025

Cada vez mais popularizado, o quadro clínico de bipolaridade tem ganhado espaço em conversas cotidianas, análises selvagens e em diagnóstico disseminados através de vídeos ou posts em redes sociais na velocidade de um compartilhamento. Mas do que de fato se trata esse quadro que, quando existente, pode causar profundo sofrimento a quem é acometido por ele, assim como para as pessoas ao seu redor?


Do ponto de vista psicanalítico, a oscilação entre estados maníacos e depressivos é compreendida como uma tentativa do psiquismo de lidar com angústias fundamentais das perdas e castração. Sendo a melancolia marcada por uma depreciação profunda do eu, que se perde junto com o objeto, não havendo uma separação com relação ao objeto perdido. Para Freud, a melancolia se diferencia do luto pela dificuldade em integrar o objeto internamente, sua sombra recai sobre o eu desencadeando um processo de autodestrutividade, desinvestimento narcísico e perda de interesse por qualquer forma de prazer.


Já na mania, há uma fixação num afeto, que pode recobrir uma perda como uma tentativa de restauração do narcisismo. Por isso, as ideias de exaltação de si, agitação, manifestação de crenças exageradas, atividades de risco, gastos excessivos e despropositados, aceleração da fala e do pensamento, euforia que pode se manifestar também como uma profunda irritabilidade, entre outros comportamentos que caracterizam um estado maníaco. No transtorno bipolar, não se trata da mania e depressão serem lados opostos de uma mesma moeda, mas são parte de um movimento circular que busca, de diferentes formas, lidar com um sofrimento que não encontra simbolização possível. 


Nesses casos, a direção do tratamento psicanalítico não se trata de simplesmente suprimir os sintomas, mas oferecer um espaço de escuta para que a história do sujeito posso emergir, encontrando na linguagem possibilidades de simbolização de perdas e formas de lidar com os impasses do desejo. Um quadro difícil de diagnosticar, mas para o qual existe tratamento e que, em sua complexidade, exige uma abordagem em conjunto com a psiquiatria para que no lugar de repetição possa haver espaço para elaboração e produção de novos sentidos que escapem à lógica do excesso e esvaziamento.


 
 
 

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